Geriatria veterinária

Meu animal é velhinho?

É cada vez mais frequente nos consultórios veterinários a visita de cães e gatos com idade avançada. Particularmente, posso dizer que a maioria dos meus pacientes são senhores e senhoras já com alguns aninhos, sendo que minha paciente mais velha tinha 21 anos, uma cadelinha, sem raça definida e de porte pequeno chamada Lady. Atualmente meu paciente mais velhinho conta com quase 18 anos.

Mas a partir de qual momento poderemos considerar que nosso animal é idoso? Bem, essa é uma pergunta onde não existe uma resposta exata, principalmente no caso dos cães, onde o seu tamanho e sua raça vão condicionar o envelhecimento. Poderemos dizer que em média os cães vivem 12-13 anos, mas a as raças gigantes (peso acima dos 40kg), como o Dogue Alemão, São Bernardo, vivem em média 8-10 anos e os cães médios e pequenos 12-16 anos. A idade onde podemos dizer que o cão “está maduro” pode então variar entre os 6 anos (cães gigantes); 7 anos (cães grandes) e 8 anos (cães médios e pequenos). Apesar de mais “maduros”, os animais quando entram nessa fase ainda estão cheios de energia! Mas os cuidados veterinários começam a ficar mais frequentes, com check-ups mais rigorosos (exames de sangue, ecografias, RX, ecocardiografias, etc).

Mas e os gatos? Nossos amigos felinos em média vivem mais que os cães, especialmente se viverem em casas e com pouco ou nenhum acesso à rua (diminuição do risco de atropelamento, doenças transmitidas por brigas, etc). Geralmente a média de vida é de 14 anos. O gato “mais velho do mundo”, chamado Nutmeg, fez 31 anos! E na prática clínica é cada vez mais comum gatos com 16, 17 anos. Os felinos a partir de 8 anos são “maduros” sendo que a partir de 13-14 anos são “idosos” em comparação com os seres-humanos.

A idade avançada não é uma doença, e também não é sinónimo de não podermos fazer mais nada por aquele animal. Porém, de fato, estamos mais limitados.

Com a velhice começa a haver declínios graduais das capacidades funcionais dos órgãos e os problemas ou doenças vão se manifestar de acordo com o grau da perda dessa capacidade. É comum observarmos que os nossos amigos começam a ficar com pouca musculatura (atrofia), mas em contrapartida aumentam seu peso. Também em relação aos ossos e articulações existe uma gradual degeneração, com o aparecimento de artrites, osteoartroses, dificultando a mobilidade desses animais.

O coração e rins também começam a falhar, aliás talvez a Insuficiência Cardíaca e a Insuficiência Renal são as maiores causas de óbito dos animais. Nos gatos, a falha dos rins é a principal causa. Mas os tumores estão cada vez mais frequentes, fruto do aumento da longevidade dos nossos amigos e o tratamento, antes muito difícil, hoje já é uma realidade cada vez mais comum e aceite.

Outros sinais de velhice são cataratas, surdez e deficit cognitivo (muitos donos dizem “meu cão parece ficar ausente, a olhar para a parede…).

Talvez por me sentir um pouco limitada quando iria tratar um animal idoso, especialmente quando esses sentiam dor e onde muitos medicamentos são contraindicados (como os anti-inflamatórios nos animais com insuficiência renal, etc) fez com que meu interesse pela acupuntura e reabilitação física se tornasse cada vez maior. A acupuntura é muito eficaz no tratamento da dor e a reabilitação vai promover um atraso nas atrofias musculares, controlo de peso, isso sem falar em pacientes neurológicos onde “não existe medicação possível”, além de também promover bem-estar. As duas terapias em conjunto formam uma excelente dupla!

A utilização de medicações naturais, como no caso dos fitoterápicos chineses e nutracêuticos (ômega 3 e 6, por exemplo) não compromete os rins e o fígado desses pacientes.

Por isso, quando disserem que seu companheiro “é velhote e não vale a pena tentar” pense bem e informe-se. Vamos oferecer melhor qualidade de vida aos nossos amigos? Porque a idade não é uma doença, mas sim uma consequência!

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